sexta-feira, 9 de julho de 2010

Menos de argamassa que maestros


Há um maestro cuja
apresentação à beira
do Viaduto do
Limão (quando
tentava, o caos, regê-lo)
rendeu-lhe semi nu
a fuga do corpo que
escapara do
manicômio.

Quando madrugam incotinências nas
rachaduras de meu
humilde
teto
o músico aparece a
reger o som úmido
quase incolor de
alguma sujeira das gotas
enfatizando sempre
o mesmo refrão:

"Suas goteiras necessitam
menos de argamassa que maestros"

Música,
travestida de átomo que sou,
escuto de soslaio.

"Suas goteiras necessitam
menos de argamassa que maestros"

As baquetas estão sujas
de arroz empapado.

"Suas goteiras necessitam
menos de argamassa que maestros"

Me fala que morrer dói nada:
é uma aranha morosa,
asas possue,
azul ela pica -
do primeiro azul que a gente viu na vida.

"Suas goteiras necessitam
menos de argamassa que maestros".

Eu concordo.
Não antes da convulsão albina, ele desaparece.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Veja esse som

Lobão - "Chorando no campo"

A Batalha das Aranhas Azuis


O meu golpe covarde (e certeiro)
pelas costas do inimigo
fez-se o ventre do qual
nasceram
milhares de estátuas
cada uma com o mesmo
par de olhos tristes que - ao
contrário de minha
boca - fecharei um dia.

Em todo onze de novembro
livres da inanimação graças
ao milagre anual
tais esculturas, em gangue, promovem
arruaças pelos
quatro cantos do mundo celebrando
o que a história não oficial
batizou
"A Batalha das Aranhas Azuis " -

Apedrejam vidraças universitárias
ao sul da Califórnia.
Na neve de Moscou, guerreiam, infantilmente.
As Tupiniquins disfarçadas
de escritores consagrados cometem
pequenos furtos
na lentidão dos semáforos.
Aos pés da Torre Eiffel (bem como
no ponto mais alto da Cordilheira
dos Andes) bebem
vinho comem
carneiro fumam
ópio tocam
flauta recitam
meus poemas e agradecem a Deus
pelo feriado não oficial.

Ao final do espetáculo voltam
cambaleando a seus postos e
misturadas às estátuas oficiais retomam
a certeza de que
quase nunca serão
notadas talvez
por um cachorro mijão
ou
sabe-se lá por
um universitário
extremamente
atento.


Carta de Rimbaud a Paul Demeny


"O poeta se faz vidente por um longo, imenso, e racional desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura, ele procura a si mesmo, ele esgota nele todos os venenos, para guardar apenas a quintessência. Inefável tortura na qual tem necessidade de toda fé, de toda força sobre-humana, onde ele se torna, entre
todos, o grande doente, o grande criminoso, o grande maldito – e o Supremo Sábio! – Pois ele chegou ao Desconhecido."


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sobreviverei


Assassinos lacrimejaram em um berçário.


Cercado por familiares que

em gestos pré-infantilizados

tentavam comunicação

não com o predador a se arquitetar

mas com a formalidade ou

o amor ao próximo Rita Baiana:

sem frescura, atietado de tão nobre

descalço se preciso:

amor que nunca cora –

o único deveras.


Na cena mais bela

que a natureza pode proporcionar-nos

amamentaram-se.


Não consta que assassinos não se alimentam -

assim como padeiros, poetas e prostitutas que

com assassinos lacrimejaram em um berçário


ao lado de futuros pecuaristas e jogadores de futebol –

ainda que algum desses não tivera tempo

de driblar a pré-mortalidade ou tristeza que a valha

para errar dois escanteios.


Não consta que atletas nascem barbados.


Nestes pensamento apego-me

ante a ferida dos golpes

para não julgar mal um bebê:

uma rosada bochecha lançada à escuridão

sem nenhum destino traçado

exceto o de ser refém do meio.


Ele: a faca.

Eu: a concentração e o “ter com quem nos mata lealdade”.


Assoprarei sua barriga.

Com um sopro canivete

transbordarei sua boca em sorrisos –

são esses os glóbulos dele.

Nestes pensamentos apego-me.

Sobreviverei.



Protesto

Em protesto à minha falta de criatividade

algumas letras "Os" deste texto estão de ponta cabeça.

Outras, cães, inimigas de si

ou ao menos do rabo, giram, incessantemente

como se a inércia expelisse ruídos capazes de

a musa da inspiração, destroná-la

do alvo algodão de sua nuvem,

convertendo-a a terrestres estratagemas.

As experientes, sabedoras que este protesto é,

a moda de certos répteis,

o veneno que cura, mantém-se de pé:

imponentemente rechonchudas.

Menos a última

que não entende destas coisas paradoxais.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tercerizando sensibilidades - Poeasiamiga

Antônio Adriano de Medeiros


Além de excepcional sonetista, este poeta escreve, com propriedade e proficiência, cordéis - também outros tipos de textos.

É um dos poetas que mais admiro, neste e em todos os tempos - pelo que escreve, óbviamente, mas também por ser um grande incentivador de minhas escritas,desde que o conheci em um grupo de poesia virtual, creio que há uns 10 anos atrás.

Possui um blog aonde encontrar-se-á diversas poesias deste psiquiatra, cujo primeiro choro ecoou-se na Paraíba, em Santa Luzia.

http://antonioadrianomedeiros.blogspot.com/




DO BREVE ENCONTRO DE LAMPIÃO COM JESUS

Só eu conheço os segredos

que a Poesia me deu.

Só eu conheço os mistérios

que o velho Tempo escondeu:

o futuro e o passado,

o nascido e o finado

no presente que sou eu.


Quando Lampião morreu

pôs fim a um desatino

– Pois ninguém pode ser justo

sendo um tenaz assassino:

Satanás foi pro portão

com seu tridente na mão

esperar por Virgulino.


Todavia, quis Destino

a coisa mais complicada,

porque o Rei do Cangaço

teve a cabeça arrancada

e, assim sendo, fez jus

ao Decreto de Jesus

da Alma Martirizada.


Aquela que foi queimada;

o que foi cortado ao meio;

a beleza ultrajada

sem os olhos, sem um seio

– Mesmo que vá pro Inferno

passa no Jardim Eterno

pra se reparar o feio.


E assim ao Céu veio

após morrer Lampião

para ser avaliado

pelo São Sebastião.

O santo olhou o Processo

e disse assim: – “Sem sucesso.

Pode descer para o Cão!”


Mas o ex-Rei do Sertão

foi um homem devotado

ao Santo Padim Ciço

e Jesus Crucificado.

Abecou Sebastião,

botou o santo no chão

e gritou: – “Ô seu viado,


Eu não respeito soldado

nem de Jesus, nem do Cão!

Um macaco me degola,

outro dá condenação?

Daqui não me vou embora!

Vão chamar Nossa Senhora,

Jesus, ou mesmo o Chefão!”


– Leitora, leitor irmão:

o cangaço invade o Céu!

Eram onze os degolados

com Bonita, a mais fiel!

Pulam sobre Bastião,

querem arrombar um portão...

Sai correndo Gabriel.


Logo o Arcanjo Miguel

chega à toda disparada:

– “Selvagens! Bestas humanas!

Não conhecem a minha espada?

Virgulino, não esqueça:

se arranco a sua cabeça,

vai ficar sempre arrancada!”


Bonita fica assustada

e Miguel entra sem dó:

– “Eu já enfrentei a Besta,

mas a mulher é pior:

Quanto mais meto a espada

mais se diverte a danada

querendo mais e maior!”


– “Macaco Arcanjo, é melhor

você me tratar direito

porque se Seu Chefe sabe

que me tratou de tal jeito,

você tá frito, meu nêgo,

pois vai perder seu emprego

e de todos o respeito!”


A Virgem pulou do leito

porque Francisco a chamou

e foi, bela e radiante,

pr’onde a briga começou:

– “Peço a todos paciência!

Somos contra a violência...

Bom Jesus nos ensinou!”


Lampião se ajoelhou

ao ver Virgem Maria

e a briga terminou

às sete e trinta do dia.

Maria se retirou

e Gabriel entregou

uma carta que trazia.


– “Da Mais Alta Hierarquia

das Hostes Celestiais

trago um Comunicado

aos que a manhã nos traz;

os tais onze degolados

e que foram condenados

às profundas infernais.


O Nosso Reino é de Paz,

Fraternidade e Perdão.

Por isso que Bom Jesus

– O Mais Puro Coração –

após pesar com prudência,

pra evitar violência

vai receber Lampião.


Os demais, em procissão,

queiram aguardar lá fora

pois nossa Repartição

necessita, sem demora,

atender os mutilados

que vêm de todos os lados

para a sua ùltima hora.


Senhor Virgulino agora

aja com educação.

O Nosso Reino é de Paz,

não comporta confusão.

Se um revolucionário

tenta ser incendiário

Jesus lhe dá confissão.”


Em seguida Lampião

foi para outro aposento,

levado pelo Arcanjo

e seguido por São Bento.

Bom Jesus a esperar,

ele pôde descansar

em confortável assento.


Enfim chegou o momento,

brilhou uma forte Luz

– Sinal de que vinha Alguém

cuja Presença reluz! –

Lampião, que era caolho,

ganhou até mais um olho

para contemplar Jesus.


– “Ó Mestre que bem conduz

o rebanho à Salvação!

Sou ovelha desgarrada

que seguiu a Lobo Cão.

Mas foi pra fazer justiça

que deixei muita carniça

sobre a terra do sertão!”


– ”Agiste por emoção,

meu filho, não por amor.

Pois responde, Lampião,

a quem chamas de Senhor:

Pode-se fazer justiça

multiplicando a carniça

na estrada do rancor?”


– “Eu fui grande pecador,

mas toda noite rezava.

Se passava numa igreja

boa oferenda dava.

Fazia o Sinal da Cruz

e pensava em ti, Jesus,

toda vez que a um matava.”


– “Se de mim tu te lembravas

quando matavas alguém,

ou me tomavas por cúmplice

– Coisa que não me convém –

ou quem sabe te lembravas

que quando a um outro matavas

tu me matavas também.”


– “Ave Maria e Amem!

Tenho cara de romano?

Por acaso sou Pilatos,

o governador tirano?

Ou serei o Caifás

que juntou-se a Satanás

quando urdiu astuto plano?”


– “Quais eles tu és humano,

Virgulino Lampião.

Mas tu foste educado

decerto como cristão:

quando a outro maltratavas

era a mim que tu matavas

dentro de teu coração!”


– “Eu me chamo Lampião

pois minha arma reluz

como fogo quando aceso

ou como um facho de luz.

Fui pobre e fui perseguido;

fui herói e fui bandido:

fui igual a Ti, Jesus!”


– “Todos têm a sua cruz ,

mas não te faças de tonto

te dizendo igual a mim...

Acreditas nesse conto:

Tu fizeste o que eu fiz?

O teu próprio nome diz:

és Virgulino, eu sou Ponto.”


– “Eu também fiz contraponto

para a lei do carcará.

Fui cordeiro perseguido

]por gato maracajá.

Briguei com onça pintada

em minha terra explorada,

e sendo um simples preá.”


– “A serpente o bode dá

por confiar na peçonha.

Se você se diz pequeno

na verdade me embronha:

logo caia carapuça

e se mostra a sua fuça,

orgulhoso sem-vergonha...”


– “Bom Jesus tenho vergonha

de O ter deixado irritado...

Rezei tanto pro Senhor,

fui um cristão devotado...

Confiei no teu perdão,

mas vejo que foi em vão:

vivi a vida enganado...”


– “O meu perdão está dado,

mas meu juízo é reto.

Admitir-te no Céu

jamais seria correto.

Justiça com as próprias mãos

e matando a teus irmãos...

O Inferno é o teu teto!”


Jesus saiu tão discreto

que Lampião nem notou:

quando tentou responder

não mais a Ele encontrou.

Outra porta se abriu

e o cangaceiro ouviu:

– “O teu mestre já chegou!”


E no recinto adentrou

um sujeito muito pabo.

Lampião lhe perguntou:

– “É o senhor o Diabo?”

– “Sou teu irmão Satanás!”

Lampião olhou pra trás

e viu que ganhara um rabo.


– “Lampião, não fique brabo,

nem de vergonha vermelho.

Agora não podes ver,

que aqui não tenho espelho.

Bonita foi infiel:

nem bem saía do Céu

já te fez do boi parelho...”


Lampião em destrambelho

mãos na cabeça botou

e um belo par de chifres

ele ali o encontrou.

Mas se vendo endiabrado

em vez de ficar zangado

o danado gargalhou.


Antônio Adriano de Medeiros

sábado, 12 de dezembro de 2009

O outro lado


O outro lado.


Nem anjos, nem demônios:

a autópsia deles.

Nem gnomos, nem dragões:

a autópsia deles.


O que imagino de lá, extingue-se -

como pensar em diversas formas de morte

para que nenhuma aconteça

ou eu morra mago, um nobre vidente.


O outro lado.


Como parar a moeda em pé?

Permita-me Einstein. Grite-me Papa.

Acalme-me Buda. Sussurre-me Alá.

Sem truques, como pará-la?


Eu escuto o lado B dos discos

para esconder o lado A.


O outro lado.


É o orgasmo, querida,

o que mais aproxima-nos dele -

pois não conhecemos o amor.


Que nós, apaixonados pela falta de amor próprio,

elejamos chave, o orgasmo -

que dissolver-se-á antes, sempre antes,

de chegarmos ao portal.


O qual imagino todo mar

cristalizado em única,

imensa, bela e tenebrosa onda

(só para que não seja) -

como pensar em diversas formas de morte

para que nenhuma aconteça

ou eu morra mago, um nobre vidente.

O Palhaço


Olha o nariz
de bola do palhaço.
Olha o sapato -
um metro e meio de cadarço.
Olha o cabelo
vermelho que ele tem.
A flor que solta água -
mal-me-quer ou me-quer-bem?

Quando o palhaço chora
todo mundo ri.
Quando o palhaço cai
ninguém tá nem aí.
Quando ele cai
de bunda no balde
todo mundo gosta
todo mundo aplaude.

A gente paga ingresso
ele paga mico.
É o maior
sucesso do circo.
A gente leva a filha
ele leva a falha.
Quando seu gesto brilha
põe na tristeza a mortalha.

Poesia de Cabeceira

Cântico negro - José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

Se o dia insone fosse

O pé esquerdo segue
o pé direito segue
o pé esquerdo segue
o pé direito segue
o pé esquerdo: a gente passa.

Qual seguiu primeiro?
Com qual dei o primeiro passo?
Direito ou esquerdo?
Qual dará o último ante o fracasso?

O dia segue
a noite segue
o dia segue
a noite segue
o dia segue: o tempo passa.

Qual seguiu primeiro?
Noite ou dia?
O dia dorme à noite,
a noite dorme ao dia.
Se o dia insone fosse jamais
amanheceria.

Elefante

A parte do rabo
que o elefante perdera
quando o circo, a visitar-nos a cidade, apareceu,
é elefante ainda.

O animal a seguir sem parte da cauda
também o é -
e não são dois.

Assim como qualquer partícula
de sua desgastada pata
que ficara e ficará no caminho.

Um elefante é uno.

Fios de cabelos, de meus amigos, que não estimam-no,
também são amigos, e talvez amassem-no,
pudessem, um parecer, emitir.

O que delimita um elefante, membros do júri?
Fale de Cabra, se pastor és;
de Vaca, se vaqueiro:
Cabras e Vacas enquadram-se na tese.
O que as delimita?
A face, a maior concentração de massa, o coração?
Não, não creio.

Chamo-o "Massinha Cinzenta".

Não lhe dou de comer
porque ele é elefante,
mas eu não sou burro.

Burros, e toda e qualquer espécie, e mamoeiros,
enquadram-se na tese.

O que delimita um elefante, membros do júri?

Veja esse som

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Não crê no homem, mas acredita na humanidade


Competem dois ventos.

De uma sacola plástica, vale-se o primeiro;

de uma página de jornal, o segundo.


Encarnado em uma tampa Coca-Cola,

figura transversal aos que pelejam,

um terceiro, linha de chegada, aguarda epilético.

Esgotado o embate,

organizar-se-á o segundo,

cuja arbitragem ficará a cargo do vento derrotado;

cabendo

ao vencedor

duelar com o que os bandeirava,

em rua subseqüente e na carne de outra coisa -

a nota C do exame, o fio da barba algodão,

o grão de areia, a bituca lançada pela mulher,

o endereço do melhor dentista de São Paulo,

a rabiola viúva, a embalagem vazia, etc.,

a mosca quase

morta.

E assim, asfalto pós asfalto, até que,

em forma una e indivisa,

os ventos acordem com o ideal de,

por outras bandas,

as árvores destruí-las e,

suas sementes,

espalhá-las,

assinando ventania, tão

somente, ventania.