quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Do amor que dedicamos aos bichos

Do amor que dedicamos aos bichos

- por serem crianças e loucos e

não saberem de nada (e,

com efeito: detestamos os sábios ) -

aproveita-se meu gato e, na calada da noite,

emite a senha para que eu lhe encha o prato.


O faço. E

ao abrir a janela para

que a fumaça disperse

o felino escapa de encontro ao cio.


Nesse jogo de cartas marcadas,

fumarei (ainda que não suporte

o cheiro da fumaça)

quando o larápio quiser, pois

do amor que dedicamos aos bichos

- por serem crianças e loucos -

nasce o desejo: da idosa abandonada

viver um dia mais;

das crianças doentes sorrirem e resistirem ao Câncer;

de

o ambulante que vende cigarros

falsificados,

na calçada paralela,

falar de futebol comigo,

que nem gosto de futebol.

3 comentários:

Raiana Reis disse...

Foi um toque a mais ler isso justo no dia que perdi meu gato!
Muito bom... sem palavras!
Beijos

Vini e Carol disse...

É porque em muitas vezes os bichos são melhores amigos do que os próprios seres humanos. ;)
Abraço.

Eliana Mora (El) disse...

Da 'matéria' alterada, das mutações da genética, das células tortas - somos todos iguais. Nós, as pessoas que são assim, inteiras.

Gostei, Renato!

beijo,
El.